HUMANITAS | Faculdade de CiÊncias MÉdicas de São José dos Campos - FCM/SJC - Humanitas

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Organização Didático-pedagógica

Organização Didático-pedagógica

 

Metodologia para o Desenvolvimento dos Processos de Ensino-Aprendizagem

A instituição Humanitas privilegia os métodos ativos de aprendizagem, como a Aprendizagem Baseada em Problemas – Problem Based Learning (PBL); a Problematização e a Aprendizagem Baseada em Equipes – Team Based Learning (TBL), favorecendo, dessa maneira, a aquisição das competências gerais e específicas de acordo com as DCN de 2014 para o curso de Medicina (Brasil, 2014a).


O curso é estruturado em Unidades Educacionais Sistematizadas que visam apresentar e integrar as diferentes áreas de conhecimento aos diversos cenários de ensino-aprendizagem.
O currículo utiliza o método da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) e é centrado no estudante e orientado à comunidade, pois fundamenta-se nos princípios de educação de adultos e busca uma abordagem integrada dos problemas de saúde, nas suas dimensões biológica, psicológica e social (Berbel, 1998; Tsuji; Aguilar da Silva, 2010).


Para ser “centrada no estudante”, a ABP necessita atender às quatro taxonomias de Barrows (1986):
a) estruturar o conhecimento de forma que os conteúdos das ciências básicas e clínicas possam ser aplicados no contexto clínico, facilitando o resgate e a aplicação de informação – Structuring of knowledge for use in Clinical Context (SCC);
b) desenvolver um processo eficaz de raciocínio clínico para as habilidades de resolver problemas, incluindo: formulação de hipóteses, levantamento de questões de aprendizagem, busca de informações, análise de dados, síntese do problema e tomada de decisões – Clinical Reasoning Process (CRP);
c) habilitar o estudante entender as suas próprias necessidades de aprendizagem e localizar fontes de informações apropriadas – Self-Directed Learning (SDL);
d) aumentar a motivação para aprendizagem – Increasing Motivation for Learning (MOT).
Neste processo de ensino-aprendizagem os estudantes são divididos em pequenos grupos – 8 (oito) a 12 (doze) participantes por grupo – sob a orientação de um tutor, e seguem os seguintes passos tutoriais:


Sessão de Abertura:

  1. Apresentação do problema (leitura individual, seguida de leitura por um componente do grupo em voz audível).
  2. Resumo do Problema.
  3. Esclarecimento de alguns termos pouco conhecidos e de dúvidas sobre o problema.
  4. Análise do problema utilizando os conhecimentos prévios (chuva de ideias ou brainstorming.
  5. Desenvolvimento de hipóteses para explicar o problema e identificação de lacunas de conhecimento.
  6. Definição dos objetivos de aprendizagem e identificação dos recursos de aprendizagem apropriados.
  7. Busca de informação e estudo individual.
  8. Avaliação do trabalho do grupo e de seus membros.

 

Sessão de Fechamento:

  1. Leitura do problema em voz audível.
  2. Resumo do Problema.
  3. Compartilhamento da informação obtida e aplicação na compreensão do problema nas respostas dos objetivos e análise da (s) hipótese (s) elaborada (s).
  4. Avaliação do trabalho do grupo e de seus membros.

 

Após a sessão de fechamento do processo tutorial, cada tutor preenche uma ficha individualizada para cada estudante, que é padronizada pelo Núcleo de Avaliação Institucional (NAI), e apresenta uma adaptação da Escala do tipo Likert para critérios referenciados, comentários e orientações para cada estudante, além da sua nota no processo tutorial.


Essas fichas são encaminhadas para a Secretaria Acadêmica de Registro (SAR) onde ficam à disposição do (a) estudante para que ele (a) possa ler as recomendações individualizadas de seu (sua) respetivo (a) tutor (a).
Outro método utilizado na Humanitas, a Problematização, difere da ABP por se caracterizar com uma ação de intervenção na realidade do (a) estudante e propiciar que eles apresentem soluções para o problema em questão.


A Humanitas tem realizado um importante movimento de incorporação da Problematização em suas atividades curriculares. Segundo uma das principais pesquisadoras da área, Berbel (1998), algumas escolas que preparam profissionais para a área da saúde têm surpreendido a comunidade interna e externa com inovações importantes na maneira de pensar, organizar e desenvolver seus cursos.


Na problematização, o processo de ensino e aprendizagem é centrado no estudante; orientado à comunidade e atende aos quatro critérios da taxonomia de Barrows (1986), que utiliza o Método do Arco, de Charles Maguerez (1966), do qual é conhecido o esquema apresentado por Bordenave e Pereira (1982). Constam as 5 (cinco) etapas que se desenvolvem a partir da realidade ou de um recorte da realidade:


A primeira etapa, Confronto Experiencial ou Observação da Realidade Concreta, tem inícioa partir de temas originados nos diferentes cenários de prática. Os estudantes levantam temas e, orientados pelo professor-preceptor, relatam, no grupo, todas as entrevistas com pacientes e, dessas informações, conseguem identificar, não somente o processo de adoecer, mas também as dificuldades e desníveis socioeconômico-culturais, de várias ordens, que serão problematizados. Nesse momento o grupo poderá escolher uma ou mais histórias colhidas para serem trabalhadas como uma síntese desta etapa, que servirá de referência para todas as outras etapas da problematização.


Na segunda etapa, Síntese Provisória ou Identificação dos Postos-chave,os estudantes são levados a refletir sobre as possíveis causas da (s) história (s) escolhida (s). Por que será que este problema aconteceu? O que desencadeou este processo? São listadas lacunas de conhecimento e objetivos de aprendizagem são elaborados, cumprindo uma taxonomia que oportunize um estudo mais profundo.


Na terceira etapa, Teorização ou Busca de Informações, destinada ao estudo e investigação, os estudantes se organizam, individualmente, para buscar tecnicamente as informações necessárias ao problema escolhido. Essas informações serão analisadas em termos de qualidade. Tudo deve ser registrado para o desenvolvimento da etapa seguinte.


A quarta etapa, Hipóteses de Solução, trata da síntese definitiva, da aplicação dos conhecimentos na realidade, ou seja, é onde todo estudo realizado deve fornecer aos estudantes elementos para a investigação e compreensão profundas sobre o problema, de forma crítica e criativa. Nesse momento, o estudante lança mão do conhecimento elaborado para aprender a pensar e raciocinar sobre ele e, com ele, formular soluções para os problemas estudados.


Na última etapa, Aplicação,o estudante deverá utilizar os conhecimentos adquiridos à realidade, ou seja, deverá aplicar o conhecimento adquirido ao cenário utilizado para estudo, assim como utilizar na implementação dos atendimentos aos pacientes, todas as informações colhidas à luz da literatura.


Completa-se, assim, o arco, levando os estudantes a exercitarem a cadeia dialética de ação-reflexão-ação, ou seja, a relação prática-teoria-prática, tendo como início e fim do processo de ensino-aprendizagem, a realidade social.
Ainda segundo Berbel (1998), “a problematização volta-se para a realização do propósito maior que é preparar o estudante/ser humano para tomar consciência de seu mundo e atuar intencionalmente para transformá-lo, sempre para melhor, para um mundo e uma sociedade que permitam uma vida mais digna para o homem”.


Nesse processo, existe o exercício e a possibilidade da formação de uma prática consciente. A opção pela problematização trouxe alterações na postura do professor-facilitador e dos estudantes para o tratamento crítico e reflexivo dos temas estudados nos problemas da realidade social, dinâmica e complexa. São previstas avaliações por ciclos, progressivas, dos conhecimentos adquiridos.


Outro método ativo de ensino-aprendizagem utilizada na Humanitas é a Aprendizagem Baseada em Equipes – Team Based Learning (TBL). Esse método foi criado por Larry Michaelsen, em 1970 (Michaelsen; Knight; Fink, 2004) para ser utilizado com muitos estudantes, possibilitando, porém, a configuração de pequenos grupos que se encontram no mesmo espaço físico.


Nesse método, o professor é um facilitador, mediador do processo ensino-aprendizagem, e o ganho cognitivo se processa a partir de habilidades de comunicação e trabalho colaborativo em equipes.

Requer uma preparação prévia do (a) estudante para as atividades em sala de aula, e ele (a) deve ser estimulado a se responsabilizar por adquirir e construir conhecimentos, compreendendo como o conhecimento construído será aplicado em sua futura atuação.


Para tanto, o professor realiza o preparo prévio do material didático e disponibiliza-o aos estudantes. Esses são responsáveis por se prepararem individualmente para o trabalho em grupo (leituras prévias ou outras atividades definidas pelo professor com antecedência).


Assim, logo após as semanas de articulação interdisciplinar, as disciplinas/áreas de conhecimento utilizam o método TBL, por meio da constituição de equipes formadas de pequenos grupos de estudantes, obedecendo a uma diversidade na sua composição.


No primeiro momento, ocorre a realização do teste de garantia do preparo (TGP) individual, seguida da realização do mesmo teste em equipe. O professor faz então o feedback em relação ao teste, e concede um momento de apelação por parte dos estudantes, seguida da apresentação do professor concernente aos temas de maior fragilidade, detectados pelo teste. Essa metodologia é empregada em espaços preparados e adequados (salas de TBL), para facilitar e garantir adequação do método.


Nesse contexto, a atividade da Semana de Articulação Interdisciplinar, em especial, promove a aproximação entre teoria e prática, a integração básico-clínica, empregando métodos ativos (PBL) em pequenos grupos. Essa semana ocorre do primeiro ao oitavo períodos com temas advindos das experiências práticas da Unidade do Programa Integrador (UPI).


Para tanto, é realizada uma apresentação de problemas de papel oferecidos a pequenos grupos de estudantes na presença de um professor-tutor que engloba os conteúdos referentes a todas as disciplinas do período.
Garante-se, assim, uma abordagem interdisciplinar bem como a articulação dos aspectos biopsicossociais. Para essa atividade está previsto apoio pedagógico aos estudantes por meio de consultorias nas grandes áreas: básica e clínica oriundas das necessidades percebidas pelo estudante ou professor.

As consultorias, apoiadas pelos laboratórios de habilidades e simulação realística, se fazem nos âmbitos cognitivo, afetivo e psicomotor, permitindo desenvolver as competências desejadas na formação do egresso no saber, no agir e na relação interpessoal.


Os métodos de aprendizagem centrados no estudante permitem integrar saberes biológicos ao desenvolvimento das tarefas propostas para o período, acionando o conhecimento prévio do estudante, representando, assim, o ponto de partida para a construção de saberes de forma integrada e articulada aos demais cenários de ensino-aprendizagem.


Importante acrescentar que o estudante deve aprender a buscar continuamente o saber, em função de sua responsabilidade social, enquanto profissional, e pela certeza de que os modelos das ciências estão permanentemente sendo testados e investigados.


Na Unidade do Estágio Supervisionado em Regime de Internato ocorrem atividades baseadas em situações-problema reais, por meio de apresentações clínicas, de forma a desenvolver o raciocínio, abordando as questões de diagnóstico, da terapêutica e de elaboração de planos de cuidado.


Assim, o desenvolvimento das tarefas ocorre onde os casos contam com a presença do paciente (aprendizagem centrada no paciente) conforme a unidade e o cenário trabalhados.


A presença e a participação de cada estudante e professor são imprescindíveis para que a sequência de eventos na Problematização aconteça de forma dinâmica, com rigor pedagógico, permitindo a ampliação da articulação e da parceria crítico-reflexivo da academia com o mundo do trabalho e afinidade maior entre a produção de conhecimento e as necessidades das políticas de saúde. Para tanto, desde o primeiro momento, o estudante desenvolve a aprendizagem baseada no processo de trabalho, favorecendo autoaprendizagem permanente.


Na Unidade do Programa Integrador, junto à comunidade, também é utilizada a Problematização que oportuniza a aprendizagem significativa.

 

Nesse sentido, toda a estrutura de equipamentos de saúde do SUS existentes em São José dos Campos está conveniada com a Humanitas. Para efetiva utilização dos métodos ativos de aprendizado, a Humanitas promove capacitação docente por meio de educação continuada, presencial, realizada com consultoria externa e com docentes da Instituição, utilizando-se de oficinas, palestras e seminários; além de educação permanente, quando os professores-tutores se reúnem antes de todas as sessões de abertura e de fechamento das sessões tutoriais das Semanas de Articulação.

Avenida Brigadeiro Faria Lima, 811, Putim, São José dos Campos – São Paulo

(12) 2012-6600